O jantar mais cinematográfico da avenida

Jazz, luz e sabores que fazem você viajar sem sair da cidade

Nova York. 1974.

É uma noite de chuva fina de novembro. As luzes dos postes refletem no asfalto molhado. O vento balança levemente as folhas das árvores nas laterais da via de mão única.

No lado esquerdo da calçada, uma escada estreita, coberta por um carpete passadeira persa, leva ao segundo andar de um prédio de dois andares. De lá de baixo, você escuta o som suave de um saxofone.

Talvez você esteja vestindo um shift dress de mangas soltas e um scarpin vinho — que produz um compasso firme e ritmado ao subir os degraus. Ou, talvez, esteja de camisa social clara, suspensório charmoso e sapatos reluzentes que acompanham o toc toc dos passos, ainda que mais discreto.

E a música aumenta. E você já consegue distinguir que é Chet Baker tocando. E os versos de I fall in love too easily se misturam com o tilintar das taças e o murmúrio das conversas abafadas.

Você enfim chega ao topo da escada e é recebido pelo aroma de manjericão, uma luz âmbar baixa e a voz suave de um garçom sorridente, que lhe indica a mesa a se sentar. Então, você dá um passo.

Mas antes de seguirmos para o jantar, preciso confessar que…

Sua narradora mentiu.

Não estamos em Nova York, 1974.

É 2025. E a cidade é Criciúma, avenida Getúlio Vargas.

Mas é que ali, em um estabelecimento recém-aberto chamado Glorinha, subir as escadas é como viajar no tempo. As coisas funcionam em outra frequência. Mais lenta. Mais atenciosa.

A música, a decoração, a iluminação, a música, a arquitetura, os drinks, a música… Todos os elementos que compõem o cenário criam uma atmosfera intimista, sofisticada, elegante. Estar ali é como deixar de ser você por algumas horas e incorporar um personagem da classe alta nova-iorquina de um filme ambientado em algum momento entre 1950 e 1980.