Festival socioambiental celebrou os 20 anos do Instituto Felinos do Aguaí com arte, economia criativa, atividades ao ar livre e ações de conservação
Antes mesmo de chegar ao Wiediistock, o caminho já parecia fazer parte da experiência.
Entre morros, áreas de Mata Atlântica e estradas próximas à paisagem da Serra Geral, o trajeto até a comunidade de São Pedro, em Siderópolis, antecipa um pouco do que o festival propõe: desacelerar, observar e se reconectar com a natureza.
Realizado no último sábado, 6, o Wiediistock 2026 celebrou os 20 anos do Instituto Felinos do Aguaí reunindo música, arte, educação ambiental e conservação da biodiversidade em um dos cenários mais especiais do sul catarinense. Inspirado no histórico Festival de Woodstock e no gato-maracajá (Leopardus wiedii), espécie ameaçada de extinção, o evento beneficente busca aproximar cultura, comunidade e preservação ambiental.



O festival tem como foco apoiar ações voltadas à conservação da Mata Atlântica e dos felinos silvestres da região, especialmente no entorno da Reserva Biológica Estadual do Aguaí.
Ao chegar ao local, a música já podia ser ouvida à distância. Apesar do acesso exigir alguns quilômetros de estrada de chão, a quantidade de carros estacionados ao longo da via mostrava que o público havia aceitado o convite para passar a tarde em meio às montanhas.
Logo na entrada, um dos primeiros espaços a receber os visitantes era o Museu do Montanhismo Edson Dubois Struminski, considerado o único do gênero no Brasil. Instalado na área do Instituto Felinos do Aguaí, o espaço preserva equipamentos históricos, fotografias, relatos de expedições e registros que ajudam a contar a história do montanhismo e da relação entre pessoas e a natureza da região.
Também chama atenção o Viveiro Florestal, inaugurado pelo Instituto em 2023. O local integra o programa de renaturalização da instituição, responsável pela produção de mudas de espécies nativas destinadas ao reflorestamento de áreas prioritárias para a conservação ambiental.






Música, arte e experiências ao ar livre
Ao longo da tarde, diferentes atrações ocuparam os espaços do festival. A programação musical reuniu apresentações da Escola de Música Sal da Terra, de Siderópolis, da Escola de Música São Bento Baixo, de Nova Veneza, além das bandas Baltazar, Polígono Instrumental e Vira Latas.
Os estilos variavam entre MPB, rock, música instrumental, clássicos populares e outras influências, criando uma trilha sonora que acompanhava naturalmente a movimentação.
No espaço, a feira de economia criativa reuniu artistas, produtores e empreendedores locais com trabalhos de arte em madeira, cerâmica, ilustrações, terrários, pães e bolos, entre diversos outros produtos autorais.
Na área gastronômica, expositores ofereciam opções como pizzas, café, suco e, acompanhando o clima dos meses mais frios do ano, o tradicional cachorro-quente.
Outra atração bastante procurada foi a estrutura de escalada, permitindo que, principalmente as crianças, experimentassem uma atividade diretamente ligada à cultura de montanha presente na região.
Um festival para todas as idades
Um dos aspectos mais marcantes do Wiediistock foi a diversidade de públicos. Famílias inteiras ocuparam o gramado ao redor das atrações, de crianças a idosos. Também era forte a presença de grupos de escoteiros da região.
Muitas pessoas chegaram preparadas para permanecer durante boa parte do dia. Cadeiras de praia, cangas, toalhas e pequenos piqueniques ajudavam a transformar o ambiente em um harmonioso encontro ao ar livre. O evento, que iniciou às 15h, permitiu que o público aproveitasse a programação até o cair da noite, quando uma fogueira passou a integrar o cenário.
Cultura como ferramenta de conservação
Mais do que um festival ambiental, o Wiediistock, em sua segunda edição, se consolida como uma iniciativa que utiliza a cultura para aproximar as pessoas de pautas ambientais.
Segundo uma das idealizadoras, Jossyellen Becher, o evento já contribuiu para a viabilização do Recinto de Felinos Silvestres do Instituto Felinos do Aguaí, estrutura voltada ao manejo, reabilitação e reintegração de animais à natureza. Além disso, fortalece ações de educação ambiental e mobilização regional em torno da conservação da Mata Atlântica.
O Wiediistock mostra, mais uma vez, que cultura, arte e meio ambiente podem ser pautas que caminham juntas e dão certo. Cercado por montanhas, florestas e pela biodiversidade que busca proteger, o festival transformou uma tarde de sábado em um encontro bonito entre pessoas e natureza.
Um grande acerto e diferencial na região sul de Santa Catarina.
Esperamos pelas próximas edições.








