A magia das noites de teatro

O respiro cultural e encontro coletivo dos espetáculos em Criciúma

Três pancadas.

A primeira é um convite para que os presentes comecem a entrar. A segunda é um aviso para que se acomodem. Na terceira, espera-se que todos fiquem em silêncio.

As luzes diminuem, os burburinhos cessam.

A viagem vai começar.

Molière iniciou essa tradição quatro séculos atrás, nos palcos parisienses. Hoje, já não é um bastão que produz esses sinais sonoros. Mas, se você for viver uma noite no teatro, mesmo no sul de Santa Catarina, com certeza irá ouvir a “campainha da expectativa”.

O prelúdio do início do espetáculo a que veio assistir carrega essa emoção de pré-viagem. É como se seu corpo aos poucos se acostumasse com a ideia de que entre alguns minutos será transportado para um universo de fantasia, fora do espaço-tempo. Seja cênica, musical ou coreográfica, a apresentação que transcorre à sua frente toma, por algumas horas, toda a sua atenção e te leva para longe da realidade. É um tipo de magia.

Criciúma é a cidade que abriga a maior sala de espetáculos teatrais do sul do Estado — a única da região recebendo turnês que, geralmente, chegam apenas até à capital. O Teatro Elias Angeloni, no Parque Centenário, construído na década de 80, desde 2023 vem passando por melhorias na infraestrutura e na qualidade de sua programação. Por fora, ele pode até não transmitir uma aparência das mais amigáveis, com sua arquitetura geométrica e institucional, em concreto bruto. Mas portas adentro, o aconchego é quase palpável. Está presente nas luzes, na cortina e poltronas vermelhas, no cheirinho de pipoca, nas conversas do público no hall.